Teoria e Prática do Sigilo (II): a Atenção e o Transe

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(Artigo publicado originalmente no site Nível Épico em 15-07-2018.)

Na minha primeira coluna sobre a Teoria e Prática do Sigilo, falei da relação entre magia e transe. O primeiro a enunciar com todas as letras esse componente fundamental da magia foi Peter Carroll, um dos fundadores da Magia do Caos: “Ritual”, escreve ele em Liber Null e Psiconauta, “é o uso combinado de armas talismânicas, gestos, visualização de sigilos, encantamentos verbais e transe mágico.”

Pode parecer estranho que tenha sido preciso esperar até a metade final do século XX para que isso fosse dito com todas as letras, mas há vários motivos que podem explicar a omissão.

Diferente da maior parte das culturas e sociedades, a civilização ocidental, por influência do cristianismo, sempre encarou com desconfiança transes e estados alterados de consciência (que, para todos os fins práticos, podem ser considerados sinônimos). Magⓐs e feiticeirⓐs sempre trilharam um perigoso fio da navalha, que a qualquer momento poderia levá-los para a prisão ou, em tempos ainda menos esclarecidos, para a fogueira, de modo que precisavam pesar cuidadosamente o que revelar nos textos escritos e o que deixar implícito. Os olhos das autoridades eclesiásticas, tapados com viseiras bíblicas, não veriam muita diferença entre um estado de transe e uma possessão demoníaca.

Além disso, o conceito de transe, que vamos examinar mais de perto daqui a pouco, é uma noção moderna, que só poderia ter sido criada após a invenção da psicologia. Para um mago medieval ou renascentista, qualquer alteração do nível de consciência provavelmente seria interpretado como mais uma consequência do ritual, uma evidência de que ele estava funcionando. O que não deixa de ser verdade. Basta um olhar superficial para perceber que a combinação de estímulos sensoriais – velas coloridas, incensos, música, etc – e o ritmo hipnótico das recitações e conjurações típicas da magia cerimonial são mais do que suficientes para induzir um estado de transe.

Se não acredita em mim, faça o teste.

(Continue lendo aqui.)

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