Grant Morrison, Hipersigilos e a Magia da Arte

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(Artigo publicado originalmente no site Nível Épico em 10-10-2017.)

Em setembro de 1994, aquele ano distante do milênio passado, quando a Internet ainda engatinhava e o World Trade Center existia, as bancas de jornais foram tomadas de assalto pelo primeiro número de Os Invisíveis, uma história em quadrinhos escrita por Grant Morrison, sobre um grupo de agentes que usava magia para combater entidades demoníacas que queriam impedir a libertação espiritual da humanidade.

Por sua narrariva não-linear, referências obscuras e ideias escandalosamente heréticas, Os Invisíveis divide opiniões até hoje, entre os que acham a história pretensiosa e confusa e os que, como este que vos fala, a consideram uma obra-prima.

O que pouca gente sabia na época, mas o próprio Grant Morrison não demorou a tornar público, é que, mais do que apenas uma história em quadrinhos, Os Invisíveis era um artefato mágico, destinado a remodelar a realidade.

Morrison batizou esse tipo de artefato de hipersigilo.

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Os paradigmas da magia

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(Artigo publicado originalmente no site Nível Épico em 25-03-2018.)

Depois de algum tempo fazendo experiências com sigilos, você necessariamente vai chegar a uma de duas conclusões: ou bem eles funcionam ou não funcionam. Se você concluiu que não funcionam, este artigo não é para você. Não que você não possa ou deva lê-lo, mas dificilmente ele terá alguma informação útil para alguém que chegou à conclusão de que magia não funciona.

Por outro lado, se suas experiências foram encorajadoras o suficiente para seguir adiante, se você concluiu que esse papo de sigilização e o escambau até pode ter alguma coisa a ver e que talvez, quem sabe, magia funcione, o próximo passo provavelmente é perguntar por que ela funciona. No entanto, em muitos sentidos, a melhor resposta para essa pergunta é: porque sim.

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Teoria e Prática do Sigilo (II): a Atenção e o Transe

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(Artigo publicado originalmente no site Nível Épico em 15-07-2018.)

Na minha primeira coluna sobre a Teoria e Prática do Sigilo, falei da relação entre magia e transe. O primeiro a enunciar com todas as letras esse componente fundamental da magia foi Peter Carroll, um dos fundadores da Magia do Caos: “Ritual”, escreve ele em Liber Null e Psiconauta, “é o uso combinado de armas talismânicas, gestos, visualização de sigilos, encantamentos verbais e transe mágico.”

Pode parecer estranho que tenha sido preciso esperar até a metade final do século XX para que isso fosse dito com todas as letras, mas há vários motivos que podem explicar a omissão.

Diferente da maior parte das culturas e sociedades, a civilização ocidental, por influência do cristianismo, sempre encarou com desconfiança transes e estados alterados de consciência (que, para todos os fins práticos, podem ser considerados sinônimos). Magⓐs e feiticeirⓐs sempre trilharam um perigoso fio da navalha, que a qualquer momento poderia levá-los para a prisão ou, em tempos ainda menos esclarecidos, para a fogueira, de modo que precisavam pesar cuidadosamente o que revelar nos textos escritos e o que deixar implícito. Os olhos das autoridades eclesiásticas, tapados com viseiras bíblicas, não veriam muita diferença entre um estado de transe e uma possessão demoníaca.

Além disso, o conceito de transe, que vamos examinar mais de perto daqui a pouco, é uma noção moderna, que só poderia ter sido criada após a invenção da psicologia. Para um mago medieval ou renascentista, qualquer alteração do nível de consciência provavelmente seria interpretado como mais uma consequência do ritual, uma evidência de que ele estava funcionando. O que não deixa de ser verdade. Basta um olhar superficial para perceber que a combinação de estímulos sensoriais – velas coloridas, incensos, música, etc – e o ritmo hipnótico das recitações e conjurações típicas da magia cerimonial são mais do que suficientes para induzir um estado de transe.

Se não acredita em mim, faça o teste.

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Teoria e Prática do Sigilo (I)

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(Artigo publicado originalmente no site Nível Épico em 21-01-2018.)

Na coluna anterior, falamos de Austin Osman Spare, o ocultista inglês que desenvolveu a técnica de sigilização ou criação de sigilos, adotada na década de 1970 pelos criadores do que viria a ser conhecido como Magia do Caos. Spare argumentava que os sigilos substituíam com vantagem toda a parafernália da Magia Cerimonial, criando um canal direto de comunicação entre o mago e seu próprio inconsciente.

Na coluna de hoje, vamos aprender como é a técnica propriamente dita, para que você possa verificar por si mesmo se Spare tinha ou não razão.

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Austin Osman Spare e o Culto de Zos Kia

Death Posture (Austin Osman Spare)

(Artigo publicado originalmente no site Nível Épico em 03-12-2017.)

O esoterismo contemporâneo não seria o mesmo sem a influência de um semi-obscuro artista britânico chamado Austin Osman Spare, que é considerado o principal precursor da Magia do Caos. Se você leu Promethea, de Alan Moore, vai lembrar que Spare aparece como um convidado de honra no nº 15 (volume 3), jogando xadrez e trocando farpas com Aleister Crowley.

Nascido em 30 de dezembro de 1886 e influenciado pelo movimento simbolista, Spare chegou a ser saudado como o novo Beardsley, em referência a Aubrey Beardsley, o nome mais conhecido do art noveau, estilo ao qual seu trabalho é mais frequentemente associado. Mas suas ideias excêntricas, bem como a estreita relação entre suas obras e a prática da magia, fizeram com que Spare nunca recebesse a atenção e o sucesso artísticos que seu talento merecia.

Foi só com o advento do surrealismo que a arte de Spare passou a ser revalorizada, mesmo assim, sem jamais ter chegado perto da repercussão de um Dalí ou um Magritte. Apesar de não levar os surrealistas em grande conta, Spare tinha, de fato, muitos pontos em comum com eles, principalmente a prática do desenho automático e o uso da arte como ferramenta para explorar as profundezas do inconsciente.

E, claro, o interesse pelo ocultismo.

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